quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Não há Deus
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É, às vezes as coisas podem ser mais simples.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Eu lírico
E isto então? Isto não é um livro. Isso é injúria, calúnia, difamação de caráter. Isto não é um livro, no sentido comum da palavra. Não, isto é um prolongado insulto, uma cusparada na cara da Arte, um pontapé no traseiro de Deus, do Homem, do Destino, do Tempo, do Amor, da Beleza... e do que mais quiserem. Vou cantar para você, um pouco desafinado talvez, mas vou cantar. Cantarei enquanto você coaxa, dançarei sobre o seu cadáver sujo...
Para cantar é preciso primeiro abrir a boca. É preciso ter um par de pulmões e um pouco de conhecimento de música. Não é necessário ter harmônica ou violão. O essencial é querer cantar. Isto é portanto, uma canção. Eu estou cantando."
- MILLER, Henry. Trópico de Câncer Pg. 07-08.
"I walk alone, I was born unknown, I die alone."
Quem me move sou eu
Ser
mais que
aquilo que sempre fui.
Me move.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Filosofar com o vazio

A filosofia nos leva a lugar nenhum. O ato de filosofar, imparcial e verdadeiro não encontrará nada senão o vazio absoluto. O caos reinante de forma pura e bela, cruel e indiferente para nossos olhos por demais humanos. Não ser um indivíduo otimista não significa se voltar ao pessimismo e à melancolia deste, a imparcialidade nos leva ao real, à experiência que leva em conta a natureza em sua forma crua e caótica, com padrões despropositados aos quais sempre tentamos dar forma. Hoje é possível perceber que a essência é vazia e depende da existência, e não seria possível ver além. Toda e qualquer hipótese criada para explicar fenômenos além da esfera humana são palpites sem qualquer fundamento ou evidência, que se prostram sob justificativas que não são passíveis de comprovação e confundem mentes que anseiam respostas que jamais existirão.
Não falo de filósofos e teorias, apesar de ser impossível me desvincular destes e do meu histórico de influências, dada a importância que tiveram em minha existência, não para melhor ou pior, mas que me fizeram ver as tolices em que eu me encontrei uma vez imerso, que me faziam confortável e “feliz”, mas que nunca passaram de palpites e não valem a confiança de qualquer homem, mas sim, sua revolta justificada, por ser um limite do potencial do qual todos compartilhamos e podemos explorar ao máximo para criar a essência que nossa existência tornou possível.
“A existência precede a essência”, de fato, mas sempre se buscou sentido onde não há; dar sentido a vida deveria ser o mandamento principal, não busca-lo, pois ele não existe, a vida é vazia e o confronto com o real dói, uma dor quase insuportável com que se aprende a conviver, mas nunca se elimina; a dor testa o verdadeiro caráter, que se diz ‘forte’ ou ‘resistente’ mas estas são definições limitadas por demais para significar o ‘encontrar o vazio’, e conviver com este.
Tudo se formou por ciclos, nascemos vazios, somos moldados, e então nos re-moldamos, ou então seguimos os moldes com que crescemos e nos conformamos. Eu me moldo a cada momento, precisei quebrar os contornos que me faziam “eu” no início para questionar e conviver com o fato de que não há nada que eu possa fazer para confortar a dor da existência real e vazia. Mas aprendi a conviver com ela e hoje a amo; e como amo! Não saberia retornar ao estado primitivo em que me encontrava antes dela. Pessoas como eu “não são as mais confortáveis, mas são as que movem o mundo”, as que aprenderam a amar a eternidade e o questionamento, a abraçar a dor do vazio que vem como uma pancada no meio da cabeça, rachando-a e a fazendo sangrar até não restar uma única gota do sangue poluído pelo conformismo e pelo repugnante conforto encontrado na inverdade; ah, mas como sinto saudades daquele conforto, e como sinto raiva de mim por abrir mão dele; e ainda, sinto ódio de ter sido aquilo e de hoje sentir sua falta.
Odiamos as drogas que nos tornam dependentes (nem todos, falo pelos ‘fortes’) mas como somos dependentes da necessidade! Fugimos covardemente do tédio com o necessitar, nosso vícios não mais equilibram nossas virtudes. Ou somos puritanos demais e esquecemos dos prazeres; ou seres desvirtuados e desequilibrados que se acabam mental e fisicamente em meio a busca por saciar vontades imediatas.
Faço da vida a mais bela, estou vivendo meus melhores momentos, os mais breves que serão mais lembrados. Tenho os melhores amigos e me apego aos melhores vícios, insisto em absorver as melhores virtudes - por vezes falho - e tenho a melhor família. Amo as menores coisas como a mim mesmo, e sinto ódio daquilo que as prejudica. Não quero que minhas dores sejam suas e amo tudo que é belo - seja humano ou não - a grandeza do cosmos, minha incompreensão e tudo que é passível de contemplação; não preciso mais de motivos últimos para buscar prazeres e me apegar às coisas belas da vida. Dou à ela o sentido que me convém; amei a verdade e fiz dela meu principal vício, em sua ausência não há conclusão, e quando se faz presente, mesmo com dor, é a mais bela.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Sobre a necessidade - 1ª parte, Introdução.
Há algum tempo venho pensando, refletindo e reunindo informações e experiências para escrever sobre um tema que me interessa excessivamente, mas, só agora resolvi jogar tudo no papel/computador. Irei produzir, por algum tempo, sem pressa ou precipitação, uma série de postagens apresentando a minha visão - embasada em teorias filosóficas e na interpretação racional dos fatos – sobre Necessidade na esfera humana, irei discursar sobre nossas necessidades físicas; os vícios que “criamos”; as implicações do necessitar na conceituação de liberdade; as necessidades que desenvolvemos para conviver em sociedade; a necessidade de religião que afeta a maioria dos indivíduos; as mudanças por que passamos ao longo do tempo, que nos fizeram desenvolver novas necessidades; as possíveis conseqüências que afligem um ser humano que tenta se livrar de certas necessidades; e o porquê de mudar conceitos pré-estabelecidos sobre o tema.
Deixo claro que poderei incorrer - em meio a estes tópicos - a outros temas relacionados, para facilitar a compreensão do todo. Discursarei do modo mais direto que for possível, visto que estou escrevendo em um blog, e o assunto proposto é passível de obras com centenas de páginas. Entre as possíveis oito partes desta proposta possivelmente escreverei sobre outros temas se me interessarem.

1ª Parte.
Inicialmente apresento possíveis conceitos de Necessidade, para que o foco da questão se torne bem definido.
Segundo o Novo dicionário Aurélio da língua Portuguesa (3ª ed. 2004) Necessidade é:
“[Do lat. Necessitate.] S. f. 1. Qualidade ou caráter de necessário. 2. Aquilo que é absolutamente necessário; exigência: (...) 3. Aquilo que é inevitável, fatal. 4. Aquilo que constrange, compele ou obriga de modo absoluto: (...)” – pg. 1391.
No dicionário Oxford de filosofia (1994), o conceito de Necessidade é tratado de maneira relativa. Vários filósofos versam sobre o tema, por vezes, de formas consideravelmente distintas. Tal fato leva a conclusões ambíguas e frequentemente contraditórias, visto que podemos considerar Necessidade no plano puramente humano e “simples”, ou elevá-lo a um conceito metafísico e indefinível de forma absoluta. Tal relatividade é freqüente em outros temas filosóficos como Verdade, Realidade, Liberdade e outros tantos. Um trecho pertinente da definição que se encontra na obra é o seguinte:
“Uma proposição é necessária se não poderia ter sido falsa (...) A explicação fundamental da necessidade de uma proposição é controversa, e há até quem duvide que essa categoria seja um auxiliar útil para o pensamento. Uma classe relativamente clara de proposições necessárias seriam as analíticas, uma vez que parecem ser ‘trivialmente’ verdadeiras. Mas as verdades aparentemente sintéticas e necessárias levantam problemas substantivos: a proposição afirma que todos os números têm um sucessor, e a proposição que afirma que nada pode parecer inteiramente vermelho e verde ao mesmo tempo, são alguns dos exemplos clássicos. (...) As teorias convencionalistas sugerem que consideremos certas proposições como necessárias por convenção lingüística. (...)” – Pg. 263.
A citação acima conceitua Necessidade do ponto de vista que constantemente vem sendo abordado por pensadores. Irei discutir o tema conforme ele se encaixa no comportamento e na existência humana, a Necessidade como instinto/auto preservação/sentido que criamos, basicamente.
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Colocadas as considerações iniciais, me despeço até o próximo post. (:
terça-feira, 18 de agosto de 2009
É notícia?
Violência! corrupção! homens-bomba! guerra santa! morrem cinco! fórmula para emagrecer! bulimia! copa do mundo! São Paulo Fashion Week! acidente trágico! desespero em templo cristão! intolerância! ignorância! falta de ética! cotas! corrupção! corrupção! corrupção! copa do mundo! morrem vinte! corrupção! guerra no Iraque! Afeganistão! Coréia do Norte! Irã! armas nucleares! Osama Bin Laden! Torres Gêmeas! bolsa família! bolsa gás! bolsa político imundo! bolsa nunca mais trabalhe! corrupção! Brasil! lixo! presidente analfabeto! corrupção! falta de investimentos na educação! corrupção! fome! guerra! assassinato! chacina! heroína! cocaína! Valium! brasileiro ignorante! Sarney! americano ignorante! alemão ignorante! italiano ignorante! manipulação! crise mundial! proibição do cigarro! presidente do Brasil! copa do mundo! esquerda! comunismo! corrupção! clonagem! globalização! correr! correr! correr! corrupção! olimpíadas! copa do mundo! corrupção! falso puritanismo! moda! massificação! influenza A! corrupção! ignorância! Jesus Cristo! corrupção! intolerância! lavagem cerebral! Edir Macedo! corrupção! dinheiro! dinheiro! crise no senado! genocídio! dinheiro! dinheiro! corrupção! Igreja Universal do Reino de Deus! piada! divindade! piada! salvação eterna! corrupção! comodismo! rebanho! piada! corrupção! desgraça! morte! dor! sofrimento! fome! corrupção! desigualdade social! intolerância! futebol! Real Madrid! Barcelona! dinheiro! dinheiro! desigualdade! fome! intolerância! morte!

Pergunto-me porque ainda lemos o jornal e as revistas, ligamos a televisão, acompanhamos o noticiário, discutimos os acontecimentos ou refletimos sobre o mundo se vemos sempre as mesmas coisas, nos frustramos com os mesmos desastres e lamentamos as mesmas vidas perdidas.
Sempre da mesma forma, no mesmo lugar e com a mesma maldita rotina. A velocidade cada vez maior da informação é a mesma velocidade com que a vida se desgasta no meio de toda essa desgraça, que não cansa de se repetir. Ansiamos por dores maiores, sensações mais constantes e vidas menos entediantes, o que demonstra como “ser” humano é fútil, como a existência é, de fato, vazia, e como a “salvação divina” é a maior piada de todos os tempos.
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Basta, vou me apegar ao conforto dos meus vícios, nesse modo de auto-destruição que adotei. O que resta é esquecer a procissão caótica que marcha lá fora. Fecho o jornal, desligo a televisão e paro com todos os lamentos, pros infernos com suas notícias e o seu lixo de informação.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
O minuto que passa
A história sempre falou de virtudes; sempre prezou o final feliz e nunca quis saber a real intenção da verdade... nem saber se a verdade de fato existe; a história nunca permitiu que você pensasse, nunca quis que você largasse a droga que usou antes de se lamentar ao espelho... para a história, a história dos homens nunca fez sentido.Bastava apenas que você olhasse adiante e visse um outro motivo, inovasse o seu vício, mas que nunca se apoiasse sobre o vazio. O vazio é perigoso e nunca se fez possível, milênios de transições, desenvolvimento, progressos, regressos... e o vazio continua a não ser aceito; a ser ignorado, mal visto, mal dito.
Da ausência de vazio veio a necessidade, da necessidade veio a dependência, da dependência veio a limitação de todas as sensações e possibilidades.
Somos limitados por um objeto, uma substância, um costume, uma crença, uma pessoa.
Falo por mim.
Não pretendo encaixar o leitor nas minhas ideias... de fato, gostaria de estimulá-los a criar suas próprias verdades, a serem profetas de suas próprias doutrinas,
Mas, quem é capaz?
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Desperto nas manhãs frias de Julho e cá estou fitando um rosto no espelho, uma face confusa; passadas pouco mais de duas décadas de existência física, me pergunto se deveria ter sonhado tanto,
A falta de sentido é gritante.
Janela afora, a neblina limita minha visão e estimula meu pensamento, de forma contraditoriamente interessante. Paro e sinto, respiro o ar congelante que insiste em se fazer presente, quase como uma criança que recebe atenção em demasia; fecho os olhos e busco em todos os cantos do meu ser, a vontade.
Vontade.
Tão impotente em sua ausência eu sou; busca qualquer resquício de sentido que tenha se perdido em mim. Pergunta-me,
Como se cria uma verdade?
A consciência inflama, o espírito dói. Uma, duas, três vezes vamos ao chão... aparente derrota não basta. Estar sozinho é desconfortável e a princípio olha-se com desdém essa falta de algo a que se prender. Silêncio, afinal, quem possui a resposta para tão delicado questionamento?
A ignorância não me convém, mas em minha condição, me prende.
Tal verdade é indecifrável, já não o é a mentira. Difícil mesmo é fazer a distinção tateando um lugar escuro, onde não podes confiar, onde o nada é presente e absoluto. Abre os olhos ou permaneça nessa existência inconsciente onde tudo, menos você mesmo, é capaz de reger o seu futuro.
Ainda falando por mim, vejo que cada vez que a consciência de ser o que somos vem à tona, um pouco de mim fica pra trás, se perde simplesmente. Não sei dizer se é a vontade que se esvai ou a incerteza e sua presença tirana que se faz presente; sei que um pouco de mim fica. Mas, quanto ainda resta para ser deixado, quão grandes são as marcas que o tempo não levou?
Me recompondo ergo os olhos, desconfiado abro a porta do quarto e saio a passos calculados. Vou à cozinha, me sinto estranho, mas já acostumado ao desconforto prazeroso que qualquer momento de exagerada reflexão provoca. Encho um copo d'água e bebo, me dirijo a porta, saio.
Engraçado é como o tempo já não se arrasta mais, como não me dou conta do tamanho da minha própria decepção; meu caminhar já raramente apressado, o atraso se tornou consequência de meu desprezo.
Só o que passa depressa são os lugares por onde vou, mas não tão depressa a ponto de deixarem de ser interessantes, todos eles, sem exceção; uma árvore, a rua estreita do lugar mais amplo que já pude ver, figuras engraçadas e coloridas. E os animais? Os animais são um motivo a mais, quando não humanos encantam pela sua aparente fragilidade, quando humanos, à distância são engraçados; ao interagir com eles também nos tornamos engraçados mas nem nos damos conta. Mas o mais incrível de tudo é o azul do céu, não por ser extremamente belo, mas por ser grande. Enormemente incompreensível, assim como tudo o que é desta proporção e não conseguimos entender de forma alguma; nessa incompreensão alguns de nós criam seres que prepotentemente nos igualam em algum sentido e nos fazem parecer ridículos em outros; Alguns indivíduos ousam desferir tamanha crueldade com todo esse azul que sempre está acima. Já outros - me encaixo aqui - preferem contemplar a tal imensidão e, antes de se perguntarem ou imporem qualquer conceito impensado sobre ela, apenas fazem de tudo para esvaziar a mente e sentir a enorme satisfação de dispor de cinco sentidos para apreciar, e apenas apreciar, essa magnificência que a existência nos permitiu presenciar antes que se acabe,

Me dirijo de volta ao meu lar. Aqui chego com a sensação de dever cumprido, deito-me e fecho os olhos contra a minha vontade, sem querer que isso acabe, cedendo ao meu corpo cansado e desobedecendo meu impulso que me implora para nunca parar, vontade de poder; vício incontrolável, compulsão pelo que antes era apenas ideia; e ainda dizem que Platão foi longe demais...
Sem entrar no cerne filosófico da questão é simplesmente isso que, na maioria das vezes, me ocorre.
Mas,
O céu nem sempre é tão azul,
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...e o fim nem sempre tão trágico.
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"A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos." - Drummond.
de palavra a tela
pintar de palavra a tela pra ver com tinta cor de mar profundo ou céu azul pincel de pensamento que nem sempre rima em traço nem sempre firm...
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A claridade que passava pelas janelas era excessiva. A luz, onda e partícula, era parte do todo, entretanto era muito escuro naquele lugar....
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Oi, Douglas. Eu sou o Douglas, e você também. mas eu sou você daqui a muito tempo. Eu sei que aí, nos anos 90, tudo vai parecer "norma...
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Em um belo dia azul me deparei com uma velha fotografia da infância, em um álbum daqueles que é esquecido no canto de um armário e só é tira...