A gente podia tá unido!
Tamo aqui lado a lado,
mas não confunde:
estar do lado de alguém não é sinônimo de caminhar junto
A gente podia ter vencido!
mas se quebrou no próprio reflexo
num espelho sujo
de um banheiro inóspito
com a boca cheio de ego
quis brilhar como estrela
brilhou como fogueira
que leva embora tudo o que não serve mais.
sonhos carbonizados de um passado ainda presente.
ausente.
de potência pra mudança real
decadente
ideia que faz parte de uma moral
sem moral
sem nem perceber a gente tava tudo fazendo igual.
Quando a educação não é libertadora,
Freire,
o sonho do oprimido é se tornar um grande otário.
Vai com calma com a tua dor
ela dói e num vai deixar de doer
tu é produto da tua história
fruto da memória dos dias que não vivemos mais.
mas tu é também o precursor do futuro que te espera.
a partir do presente que te afoga
nesse mar de eu, eu, eu, eu.
EU
EU
eu
EU, EUeueueueu
Eu cansei de me afogar em eu.
Me isolei, atormentei, fermentei tanta ideia
sem deleite de nenhuma plateia
Eu que tenho o mesmo sangue que tu.
Eu que lembro que quem fazia parecer que branco era uma coisa e preto era outra
cada vez mais passa vergonha
não aos olhos do público
mas da memória
que nunca vai esquecer
o que já dizia o professor:
"um branco e um preto unidos, resposta que cala o ridículo".
Vai com calma com a tua dor
ela dói e não vai deixar de doer
até você entender
que junto a gente caminha
ou vamos continuar a perder.
a fé
a paciência
a sanidade
a alma
a vida
pra um sistema que te quer
SE PA RADO
ainda que perto
SE GRE GA DO
ainda que lado a lado
DO MI NA DO
direita e esquerda
pensamento
CO LO NI ZA DO
nos tornamos o que não queremos
viramos progressistas e republicanos
organizaram nosso ódio
pra ser destilado entre nós
porque eles tão bem longe daqui
a história te pariu, te moldou,
e se tu não olhar pra ela
não vai saber de onde tá vindo
pra executar o que precisa
pra se libertar do que nunca te pertenceu
aprendemos bem a arte de seguir a metrópole
ensinaram
na sagacidade sutil
do controle absoluto.
controle de mídia, poluição mental,
saiu na TV, no jornal, agora na tela na sua cara te deixando sem opção
coação
coagidos
te fizeram focar na tragédia
e esquecer que o outro lado dela é a comédia
de viver em um mundo de lados e debates múltiplos
mas não fragmentados
que deviam costurar um no outro os elementos que faltam em si mesmos.
esquerda burra que de minúcia em minúcia só vai ficando mais impotente.
distante
da luta de reaproximação
do reestabelecimento de diálogo
de entender como acreditar na gente.
de como era logo antes de 1964,
não era ideal não, irmão
mas era o Brasil pensando no Brasil
com a víbora norte-americana sondando
esperando o momento de atacar com precisão
desmontar
recriar
com a cara deles.
e a tua cara no chão, lambendo bota
contando nota
achando que é fodão.
e desmontaram, e recriaram.
e hoje tu é produto de quem te consome
te devora em banquete de terno e gravato
com tua cabeça numa bandeja
dissolvido, retraído, esquecido, cansado, deprimido, com medo,
é assim que quem detém os teus grilhões te quer
dividido, confuso e esquecido.
o caminho do meio existe
e ele não é o centro.
certamente não é pacífico
muito menos enfeitado de acerto
nem nome ele tem
não é terceira via, nem quarta, nem quinta
mas definitivamente num é a primeira nem a segunda
servem a real interesse social nenhum.
servem, sim, à manutenção do teu cansaço
servem para evitar revolução
tudo
blindado.
o que já foi possibilidade não é mais
e o que vai ser depende de entender
conjuntura, sociedade e estrutura,
pra buscar outros caminhos
antes que o caminho acabe.
é erro atrás de erro,
até a gente entender
que é de gente que a gente se faz
e a gente é falho
e a gente falha
a gente erra
mas a gente corre atrás de entender.
e enquanto não entender
segue errando,
mas fazendo
até quem sabe um dia perceber.
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Versão Slam:
A gente podia tá unido!
Tamo aqui, lado a lado,
mas não confunde
A gente podia ter vencido!
mas se quebrou no próprio reflexo
com a boca cheia de ego
quis brilhar como estrela
brilhou como lenha usada na fogueira
repetindo os mesmos erros de um presente
ausente.
de potência pra mudança real
decadente
ideia que faz parte de uma moral
sem moral
sem nem perceber a gente tava tudo fazendo igual.
Quando a educação não é libertadora,
Freire,
o sonho do oprimido é se tornar um grande otário.
Vai com calma com a tua dor
ela dói e num vai deixar de doer
tu é produto da tua história
fruto da memória dos dias que não vivemos mais.
mas tu é também o precursor do futuro que te espera.
a partir do presente que te afoga
nesse mar de eu
Eu cansei de me afogar em eu.
Me isolei, atormentei, fermentei tanta ideia
sem deleite de nenhuma plateia
Eu que tenho o mesmo sangue que tu.
Eu que lembro que quem fazia parecer que branco era uma coisa e preto era outra
cada vez mais passa vergonha
não aos olhos do público
mas da memória
que nunca vai esquecer
o que já dizia o professor:
"um branco e um preto unidos, resposta que cala o ridículo".
entende
junto a gente caminha
ou vamos continuar a perder.
a fé
a sanidade
a vida
pra um sistema que te quer
SE PA RADO
ainda que perto
SE GRE GA DO
ainda que lado a lado
DO MI NA DO
direita e esquerda
pensamento
CO LO NI ZA DO
progressistas e republicanos
americanos
não latinos
organizaram nosso ódio
pra ser destilado entre nós
porque eles tão bem longe daqui
a história que te pariu, te moldou,
e se tu não olhar pra ela
não vai saber de onde tá vindo
pra executar o que precisa
pra se libertar do que nunca te pertenceu
aprendemos bem a arte de seguir a metrópole
ensinaram
na sagacidade sutil
do controle absoluto.
controle de mídia, poluição mental,
saiu na TV, no jornal, agora na tela na sua cara te deixando sem opção
coação
coagidos
te fizeram focar na tragédia
e esquecer que o outro lado dela é a comédia
de viver em um mundo de lados e debates múltiplos
mas não fragmentados
que deviam costurar um no outro os elementos que faltam em si mesmos.
esquerda burra que de minúcia em minúcia só vai ficando mais impotente.
distante
da luta de reaproximação
do reestabelecimento de diálogo
de entender como acreditar na gente.
de como era logo antes de 1964,
não era ideal não, irmão
mas era o Brasil pensando no Brasil
com a víbora norte-americana sondando
esperando o momento de atacar com precisão
desmontar
recriar
com a cara deles.
e a tua cara no chão, lambendo bota
contando nota
achando que é fodão.
dissolvido, retraído, esquecido, cansado, deprimido, com medo,
é assim que quem detém os teus grilhões te quer
dividido, confuso e esquecido.
tá tudo
blindado.
o que já foi possibilidade não é mais
e o que vai ser depende de entender
conjuntura, sociedade e estrutura,
pra buscar outros caminhos
antes que o caminho acabe.