sexta-feira, 31 de março de 2023

ranting

 não quero falar com ninguém

ver ninguém

ser ninguém

não em definitivo eu acho

assim por enquanto

enquanto de repente minha memória me massacra com o que eu já vi

e eu preciso me recolher não pra pensar

mas pra entender

que pensar já me trouxe dor demais

que minha conclusões precisam morrer

elas que morram

antes daqueles que amo

mais daqueles que amo

que saudades, mano. puta que pariu, isso me arromba todo dia. todo santo dia. eu deito na cama em silêncio de olho fechado e a porta do inferno tá sempre escancarada

só me resta meditar pra fortalecer o que eu sou antes dessa merda de pensamento todo me travar na adolescência do meu ego machucado confuso cego burro mas ainda assim eu

que enfeito qualquer pequena merda pra parecer menos merda

que dom de bosta 

auto-manipulação inconsciente

chega dessa merda

eu não tenho sentido muita vontade de viver

mas tenho passado a entender que é porque o que eu antes achava que era vontade de viver

era eu me apegando ao que eu achava que eu merecia 

com base no que esse mundo de merda me ensinou a querer

mundo de merda

ainda que lindo

puta dia lindo do caralho lá fora e eu travado na tristeza

travado não

a tristeza chorada colocada pra fora tem um efeito interessante de expurgo

sinto-me melhor, mas não melhor melhor... mais leve, com menos carga eu acho.

vai lágrima, lava essa porra toda porque eu preciso viver. 

descobrir que porra é essa na real

eu podia ir pra puta que pariu a pé e dormir na rua foda-se

ou não podia não

provavelmente é eu me convencendo que o que me prende aqui não sou eu

eu colocando a culpa da minha inação no outro

eu me descrevendo enquanto inativo

OLHA PRA SUA VIDA IRMÃO

olha pra tudo o que tu tem feito. toda a carga que já carregou

se respeita

mas cuida cuida cuida com esse ego de bosta que a interação entre eu e o mundo material por meio da linguagem criou

à imagem e semelhança do mundo podre e perdido em que existo

viciado em si auto-centrado confuso com medo ainda de ser surrado por um bando de criança sem amor. vai pra puta que pariu toda história é uma porra de uma tragédia anunciada.









 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

o diabo na encruzilhada

se me faltam palavras 
não me faltam caminhos

se me sobram impulsos
não me faltam guias

se me falta compreender
não me falta tempo

às vezes quem falta é a paciência 
com frequência ela se ausenta
mas eu é que faço ela se retirar

                  mea culpa, 
        vida em pranto, 
                        desalento.
uma preguiça descomunal dessa autopiedade desgraçada 


erro consciente é erro cobrado
em relação a si o preço é dobrado
a maldição no meio do caminho

dela você não foge
pra ela você olha
e ela gargalha
na encruzilhada
laroye.

estranho escolher sabendo que a gente é gente que faz mas também que é feito
sujeito de agir e ao mesmo tempo sujeito à condição que te impuseram ao nascer
sem escolher
agora tem que decidir
entre fazer e não fazer
Mojuba
já sabe pra onde tu vai caminhar
a gargalhada tá em te ver pensar que é sozinho que tu anda
a luz e a sombra andam contigo por todo o trajeto
do início ao fim
cabe observar a luz no meio do caminho

"teardrop on the fire"

(me sobram demônios 
e não me faltam tormentos
o inferno vem de olhos fechados
em noites calmas)

se a vida parecer banal
que seja.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

eu já fui assim risos

 quer saber o que me faz gostar de você?

você me faz querer viver a manhã,

tomar café olhando pela janela o mundo acontecer,

sair por aí e dar bom dia pra quem quiser ver

que eu amo você, verdadeiramente.

ficar perto de você, meu bem, me dá vontade de vida

de viajar, compartilhar, apontar coisa bonita pra você olhar,

ver você e perder qualquer noção de bloqueio: 

viver perigoso se torna um viver bonito,

um viver gentil.

gosto de você é igual gosto de água de rio 

mas daquele rio que fica longe de tudo, purificado pela corrente, pela frenética necessidade de mudança e de continuidade de seu caminho.

você é força e gentileza, 

e eu só agradeço pela oportunidade de juntar tanta palavra pra falar de um começo tão bonito, com cara de meio de caminho, já que o fim é uma ilusão. 

não espero nada de coisa alguma. 

só preciso expressar o que rasga meu peito, gentilmente, abrindo caminho pelas proteções que o mundo me fez criar; gentilmente, sabendo que todo plano é falho e toda intenção é lenha na fogueira desse coração, dono dessas mãos, guia dessa mente, que vive de caminhar e observar toda encruzilhada.

no mais: a vida me leva e eu vou vendo por onde eu ando, e vou coletando mais razões pra gostar de você pelo caminho. 


um sopro de vida em meio a tudo (...).

terça-feira, 22 de novembro de 2022

pulso

o que a vida é não tem nome que controle

é chorar sem saber a razão (aprende)

é rir do palhaço no espelho (aprende)

é uma mistura de tempo espaço e condição (aprende, caralho)

é levar rasteira do próprio pé (toma, troxa)

passar o inverno no escuro sozinho num limbo de dor desgosto e desamor (que porra de autopiedade escrota é essa, irmão?)

é aprender na dor e no amor (agora é ideia)


mas não é só isso aí não

e talvez nem isso aí seja

que que eu acho que sei

se a maioria dos meus tombo fui eu mesmo que executei?


eu sei que pesei,

mas a vida também é sensação de maresia na cara sal a mais por paixão tesão em afeto real amor verdadeiro carinho no rosto abraço de irmão...  


foda.

de engano em engano eu andei até aqui com as minhas próprias ideia, de visão turva, estreita, fudida pela circunstância.


caralho, eu quis ir embora. 

já peço desculpas de antemão, mas eu vou pesar de novo: 

pensei em como ia fazer em quando o que ia usar onde ia ser quanto tempo ia levar pra alguém me achar será que as pessoas que eu amo iam aguentar será que eu sei o que é amor será que dá pra amar e pensar em se...? 


eu sei lá, mano

é tudo tão insano

e eu tô sem remédio: larguei a droga que me mata a alma primeiro, aí a mente, o corpo e a fé,

nas pessoas, na manhã, no espelho, no olho com sangue, no movimento do presente, na dança do agora.


prefiro as drogas que quero – santa maria, mãe de cada solo meu, te agradeço, te queimo, te trago, me acalma, põe eu na cama, o riso no rosto e a proteção no caminho.   


prefiro droga ambiente, brisa, café de manhã, tabaco, doce, beijo, abraço. o som que ouço a cor que vejo a dança que danço a rima que o mano manda no ar que me faz ver que não tamo sozinho. 

tamo aprendendo a não largar a mão de ninguém. tipo criança, um passinho de cada vez.   


irmão, a gente precisa tá aqui, com força, falando das próprias falhas, da própria mente quebrada, do sangue que escorre, do mano que não come, não vive e não sabe. 


é pros irmão que partiram que eu escrevo isso aqui, e pros irmão que ficaram e não tão sabendo onde ir. 

não se cobra tanto, parceiro. nada é tão importante que tu precise ruir. aprende a dar a mão, a pedir ajuda e a compartilhar o pão. é tudo que importa. amém. mede teu silêncio e teus ruídos, tuas ideia e teus caminho. 


                            só existe fim físico. toda dor vai embora. 


e no fim,

sei que agora eu respiro

sem pensar em partir em ruir em quebrar em corda no pescoço em desgosto.

é daqui pra frente, na força que cada olho vivo me entrega, na mão quente e na veia que pulsa.


domingo, 9 de outubro de 2022

a liberdade sem reação
o desgaste da estrutura
a sensação de queda
o ar em transe profundo

domingo, 31 de julho de 2022

 nada é nem vai ser igual sem tu pra tirar umas brisa junto, maninho

sei nem bem o que tá sendo a vida

faço pouca ideia do que tô fazendo

pra onde tô indo

não sei bem o que tá acontecendo

ainda preciso me convencer de que a vida agora é isso

e tem bastante vida nisso

ainda tô no processo

desliguei quase todo mundo da preocupação

tô me acostumando a andar no caos

a não esperar nada

esperar é besta


vários não sei nas ideia

encaminhado mas no meio de um momento limbo

fazendo o que preciso

eu acho

o que posso

tentando ser gentil comigo mesmo

cuidar pra não retroceder nas ideia

cuidar pra não ser arrogante nas ideia

cuidar


meio que cansei

mas é parte da caminhada

cansa

senta

descansa

e volta a andar

com força

mas gentil

saca né

kek





terça-feira, 19 de julho de 2022

a linha tênue entre a consciência e a paranoia

não reagir diante da percepção, que ainda assim não deixa de ser percebida

//

ignorar a mensagem

não reagir diante da percepção do outro, até porque, paranoia ou não, não faz a mínima diferença no quadro geral

ao mesmo tempo que a mente do outro te legitima, ela te sufoca

ela te serve de base

e a pretensão

trava o pensamento

aí volta a ideia da paranoia: critico-me com o fim de me melhorar / me melhoro a que custo / até que ponto preciso da melhora / me persuadi até aqui para me manter vivo / sobreviver deve ser importante / ainda que eu não saiba que me importo / ainda que eu duvide da minha própria sanidade / ainda que eu tenha pretensiosamente caminhado até aqui com a mente / ainda que nada tenha saído daqui, além do que partiu da porta da frente


e só flui quando a mente não tá na frente

na frente de quem, se não é mente, é alma

é eu atrás de eu

ou na frente de eu?


erra e se envaidece no erro

erra e toma o erro de arrasto


hesito

tanto

anseio outro tanto

anseio que tô aprendendo se é o que é porque é ou porque eu preciso melhorar

melhorar sem se cobrar

além do necessário, se houver


entender como ser gentil comigo mesmo, mas em movimento

sem exceder, mas não sem descanso


até do lado de lá deve ter descanso

lado de lá, de cá, realidade da linguagem

toda palavra é infectada pela utilidade

de possibilitar o outro

linguagem falada, movida, cantada, dançada, gritada, desesperada, confusa, remendada

linguagem humana é o todo limitado ou é uma parte do todo?

além de ver há o quê?

além de ouvir eu ouço quem?


além de ser perder em devaneio

eu peço, espero, olho, raciocino

e esse deve ser o problema

ou a solução


pensa com a mente

intui com a alma?


cada palavra um som, cada som uma imagem criada eletricamente 

cada imagem uma ideia: forma, tamanho, efeito, história, gosto, lembrete, dia, sensação, medo, ressalva, som, outro


if we wait too long

then we'll never go

it's getting dark, but we're so close

it seem

s far, but we're not alone

(...)

we'll go where the skies go


~ ) 











ao fim

quem diria              distopia concebida por olhos cansados de um mundo que já tanto terminou                          de lá pra cá  mas n...