sexta-feira, 19 de julho de 2024
Dois anos e meio mais tarde
hoje me levei
tipo bicho mesmo
ver o sol pegar vento na cara
brincar de existir comigo mesmo
eu e a bike
fuma um antes de sair
se perde no som
por que eu gosto tanto de Lana Del Rei?
falei chapei
dancei um pouco na sala
fiz um carinho nos bicho
sky gato noia e miau
amo tanto ocês
me perdi nas ideia
atrasei o rolê
achei que ia sair cedo
hoje o sol saiu cedo
e eu saí em meio de tarde
em meio a uma mente tranquila depoisde um fino
por aí
ficar sozinho
ainda que sempre bem guiado
desenrolar minhas próprias ideia
entender de dentro um pouco mais do que acontecendo
quanta coisa irmão!!!!
agora tá mais tranquilo ficar dentro da minha cabeça
aprendi umas coisa nesses últimos tempos
doeu bastante
hoje ainda dói
mas eu tô aprendendo a caminhar
sabendo que nunca o que foi vai voltar a ser
e que é de agora que tudo se faz
que eu sou tão importante quanto desimportante nesse espaço nesse tempo nesse contexto meio desgraçado mas ainda assim agraciado com todo o amor que tem acontecido ao redor
esse amor que me lembra que eu também preciso lembrar de amar o que eu sou
aceitar conscientemente um rolê tranquilo suave no sol ouvindo som
sangue latino correndo na veia
que nem meu cachorro meio pistola meio tranquila
um bom lugar se faz com boa gente
mesmo que andasse no vale das sombras nada temerei
vou por aí preciso me encontrar
rir pra não chorar
pau pedra no meio do caminho tem
e também tem hora de parar e ficar olhando o céu fumar mais fazer vídeo besta
pra vibrar cada canto dominante no seu coração
eu choro para lhe lavar Odoya!
e canto para lhe dizer
que eu gosto tanto do mar
sinto saudades de sentar na areia fumar um negocin e ficar ouvindo as onda quebrar e vendo a espuma da onda azul esse azul é tão grande
meu caminho é tão longo e eu sou tão pequeno
e ao mesmo tempo sou filho de Ogum
levo no peito a marca do guerreiro
rasgada a lâmina crua
sange coagulado não carrega vida
sai sai de dentro de mim o que aqui não pode ficar
eu sei que pó eu sei que mata
somos mistura
somos doçura
somos beleza
somos candura
somos a festa
somos a cura
somos a mágoa dessa estrutura
São Jorge venha me proteger
do que eu não consigo ver
dos movimentos em que eu hesito
dos momentos em que parecer que a luz foi pra outro lugar
entendi que eu preciso caminhar
hoje vou pedalar até querer pra casa voltar
parei por aqui
brisei
nossa
que que aconteceu aqui
vish
tava ali daí veio as palavra tudo
obrigado por me ajudarem a ser, palavras
a desdobrar o que precisar fluir
a resgatar o que eu não posso esquecer
eu só sei que gostei
dia comigo me fazendo bem
protegido e guiado
por quem não vejo mas sinto
e por quem tá aqui e anda no vale das sombras junto com a gente quando ele chega
por ele chega
é dia de sol
dia de lua
tudo ao mesmo tempo no céu
tudo meio incrível e meio horrível tudo meio que ao mesmo tempo
jurei mentiras e sigo sozinho
assumo os pecados
os ventos do norte não movem moinhos
e o que me resta é finalizar tranquilo
na incerteza de ser o que sou por aí
de alma cativa
sangue latino
e veia pulsante
pulsa
pulso
pulsa
pulsa firme que a vida é mar denso
água profunda
brasileiro de Brasil caído mas jamais vencido
deixa o amor terminar
ame!
a si ao outro ao que te possibilita ser
desse jeitinho aí que tu é
tu é tudo
e nada nesse mar que ele tem várias história bonita pra contar
terça-feira, 14 de maio de 2024
um monte de coisa e nada
tô precisando de um fluxo de pensamento aqui sair escrevendo sem saber bem pra onde vou tem tanta coisa pra organizar tanto pensamento pra lidar várias fita pra fazer em casa de trampo de vida social de vida mental espiritual física que só meu tarja preta pra conter voltei a tomar remédio há uns 6 meses, não é bem tratamento é mais uma trava no monte de coisa ruim que tava rolando aqui dentro pra gente ir trabalhando de dentro pra fora aos poucos
queria era lidar com isso tudo usar umas vírgulas mas em geral não tenho pontuado muito na vida e em todos esses quesitos me sinto uma bagunça ao mesmo tempo que aparentemente tá tudo fluindo bem melhor do que antes
acho que o pior já passou e antes eu tinha achado isso tantas vezes que eu só tentei parar de achar até concluir que o melhor era parar de tentar no geral só que o mundo é o mundo e a entropia vem sem dó desorganizando tudo aos poucos e se eu deixo o ritmo pra trás eu sinto que a vida fica pra trás
a mente trava daí eu já nem lembro mais do que tava falando
acho que é questão de se organizar
dizem por aí que esse é o bang
se organizar
já fui apegado demais a uma rotina de acordo com o que eu imaginava que rotina fosse
sei lá o planeta tem a rotina dele ao redor do sol
o sol ao redor de alguma outra coisa
a galáxia na dela rodando rápido demais não sei bem pra onde
tem esse padrão de continuação em meio a um espaço descontinuado
que anda e anda ao redor de si até que as estrelas se encontrem
até que elas explodam se unindo violentamente ou a partir do contato delas com outros corpos celestiais ou de seu próprio fim
supernova criadora
uns anos atrás eu sentia mais os ciclos das coisas
hoje em dia sinto travas
mas acho que, pra variar, é só eu não tendo paciência
mas é difícil ter paciência às vezes nesse mundo que vem de atropelo em cada manhã
e se eu não sigo esse bonde eu sinto que vou ficando pra trás
pra trás de mim
pra trás de quem
cheguei até a usar vírgula ali atrás
os dois gatos e a dog que vivem comigo são muito amados
mas também são meio difíceis
preciso conseguir dar banho na minha dog, mas ela morde muito forte sempre que contrariada
já perdi as contas de quantas vezes tentei e quantas vezes me ligaram falando que não iam conseguir porque ela é daquele jeito dela
e como eu culpo ela?
ela não gosta muito das pessoas, mas ao mesmo tempo gosta bastante das pessoas
ela tem aquele trauma
como culpar
ela tem esse trauma?
ela era muito mais tranquila quando meu irmão tava por aqui
puta que pariu, mano, por que cê teve que ir assim? eu ainda tô meio sem entender nada
processo escroto do caralho
muita coisa já ficou pra trás mas eu ainda preciso voltar a viver
eu tô vivendo
tem tanta coisa acontecendo
e eu sei que eu vou viver pra sempre com o peso dessa derrota que foi te ver partir
pausa pra perceber como eu perdi a fé e ao mesmo tempo fui ganhando muita fé de novo
acho que tô no intermédio entre um lugar em que já estive muito ruim e esse lugar pra onde tô indo
que espero que seja bom
e o presente douglas onde fica o presente?
tenho tentado meditar, me encontrar, mas o mundo vem de atropelo
as merda não param de acontecer só porque você quer deixar o seu apartamento bonito
acho que tô falando isso tudo pra voltar aqui daqui um tempo e ver como tudo mudou
viu só, douglas, era só ter paciência
seguir fazendo o que precisa
tomando cuidado
toma cuidado, douglas
a gente tá descobrindo quem a gente é
mas segue caminhando,
coisa estranha a vida
eu sei lá, queria que o mundo fosse um bom lugar
me sinto criança que não quer aceitar
que é só tudo uma grande merda que já foi jogada no ventilador muito muito tempo atrás
como eu mantenho essa esperança eu já nem sei
escrevi escrevi e porra nenhuma falei
mas falei bastante
saudades de você meu mano, espero que você esteja bem por aí, espírito de luz que partiu tão cedo
vou apagar isso não
que mania do caralho de escrever apagar escrever apagar
onde fica o flow
vai fluindo
vai lidando com o que é de lidar
e de resto segue forte
se fortalecendo
mas vivendo
6 da manhã de um dia frio de maio
o inverno vem chegando
terça-feira, 30 de abril de 2024
terra e sangue
segunda-feira, 29 de abril de 2024
palavra estranha
sexta-feira, 29 de março de 2024
entre-lugar
uma história do ser humano brasileiro latinoamericano
século meio 20 meio 21
nascido meio que junto com a internet
tecnologia de ponta de faca
de cano de arma apontado pra cara
sujeito meio branco meio pardo meio preto meio índio meio claro meio escuro meio caminho andado até aqui.
disfarço, busco o que sou eu, leio uns negócio, me sinto perdido, encontrado,
quero alento, vento na cara, árvore pra escalar, ver sorriso na cara de quem eu amo.
cansaço.
neguei a norma gramatical, pau no cu de portugal, europa, metrópole, colonização de bosta, eu falo brasileiro, deixa a gente em paz, agro do caralho, cansei de ver essa merda dá errado, e mal comecei a viver, ainda que já tenha vivido um tanto depois de tanto morrer.
boca suja das mentiras que eu precisei engolir
parte de mim veio de lá, outra parte veio de cá. num sou nem isso nem aquilo, sou apenas o ENTRE-LUGAR.
alimento minha alma do que eu quiser, ainda que esse querer seja confuso,
antropofágico
produto de propaganda. quero o que me fizeram querer? ou o quê?
pra saber, sei lá. segue lendo, ouvindo, sentindo, observando, ajudando, se questionando,
e o que sobra de tempo pra existir? resistir? não sumir?
se manter em movimento,
ainda que por vezes ele seja só interno
fermentando os próximos capítulos da minha própria novela no canto do meu quarto
sinto uma profunda descrença, paradoxalmente permeada de uma fé absurda: no outro, em mim, nos meus guias, na proteção que vem do lado de lá e do lado de cá.
é muito fácil desesperar.
se manter são, parça, é parte do processo de resistir e reconquistar.
mas é confuso. nesse mundo cada vez mais obtuso. todo mundo nas suas tela, inclusive eu, e não me leve a mal, sou só um outro mano tentando ver qual é, tentando melhorar ao mesmo tempo que tô buscando me aceitar.
é tenso viver e ao mesmo tempo sonhar, se perguntar: esse sonho é meu? ou é só o que é conveniente pra essa lógica de capital de bosta.
sem rima
veia aberta, escancarada, sangue jorrando, mas coração ainda pulsando
CANSAÇO
que saudade do CANGAÇO que eu nunca vivi.
antes era só pegar as arma, como sabia Maria Bonita e Lampião, e explodir a cabeça de quem te impedia de sorrir.
agora essa porra tá tudo blindada.
vai lá, assalta o banco, leva os malote,
dinheiro é só desculpa pra parecer que alguma coisa tem valor.
hoje em dia, tudo se transformou em número na tela de um computador,
quem manda mesmo não se mostra
guilhotina agora é aposta
tem um alvo o tempo todo nas tuas costa
e uma tela o tempo todo na tua cara
o grande irmão agora é uma rede fragmentada
derruba um cai outro no mesmo lugar
descentralizou, espalhou, sistema financeiro que gerou
uma sociedade blindada contra revolução,
tiraram tudo do teu alcance
nada mais cabe na tua mão
além da tela da tua insatisfação
sociedade do cansaço, sem tempo nem espaço
correria insana rumo à própria morte em busca de alguma sorte
derrotista? derrotados.
ao menos nos moldes passados.
é preciso ideia nova
desglobaliza, localiza, olha pro teu lado,
contamina quem puder
lembra dos ensinamento, mas lembra também do movimento
tudo mudou e é tudo a mesma coisa ao mesmo tempo
batalha de classe insana, modernizada, informatizada,
trabalhada na arte de moer o espírito de cada irmão
até que ninguém mais queira sair do chão.
fica em pé, porra. tamo aqui pra lutar, sangrar,
se cuidar pra tá inteiro na hora que precisar.
precisão. paciência.
agora é só questão de tempo até tudo ruir de novo,
quanto tempo até a próxima crise? o que vai sobrar pra nois ter que pagar?
não me leve a mal
num tenho resposta
mas tenho uma metralhadora de ideia que fermenta e me atormenta
em cada noite de sono, em cada despertar nesse mundo de entranha exposta
memória pra conservar esse espírito, essa mente e esse corpo que por aqui passa
sigo fazendo meus corre, indo atrás, buscando aquilo que satisfaz
e isso tem a ver com saber que os irmão tão em paz.
perspicaz é o modo como tudo se transformou numa roda que esmaga a tua carne, tua vontade, teu espírito, tu.
tu
existe.
apesar de banco, sistema financeiro, globalização, dívida externa, colonização eterna.
num tô falando de mim
mas meio que tô falando sim
a identidade do entre-lugar
pertencer ao despertencimento
nascido em colônia
sugada por metrópole
em tempos tardios de envelhecimento do capital
de crise profunda sem entender é quasa nada, pai,
mas cheio de sangue no olho.
não se identifica nem com aqui nem com lá
nem com lugar nenhum
ao mesmo tempo que se identifica com tudo
pertence a esse todo estranho, intrínseco, cheio de entranha, sangue que flui, cabeça que desanda nos pensamento
cidade entulhada de gente mal encarada
confusa e desesperada
concreto morto, cidade imunda
capital lucrando com seu medo, cada loco cada vez mais vivendo por si, enchendo o nariz de pó, as veia de agulha, tudo pra não passar a corda no pescoço, não colocar o cano na têmpora, se manter aqui, já que nascemos nesse lugar
e quem sou eu pra culpar?
ainda assim
em meio à falta de rumo do sujeito humano
habita o sol, tem ar ainda entrando nos teus pulmão. tem vida ainda saindo pelas tuas mão.
meio singular, meio plural
por baixo de tudo que te fizeram acreditar
tem um ser humano inteiro, cheio de vontade de se expressar.
e isso num vai ser comprado,
num vai ser vendido
vai ser é compartilhado
até geral entender
que ou todo mundo vive
ou vai todo mundo morrer asfixiado.
quinta-feira, 28 de março de 2024
sentir sem pesar
o que eu sinto
tem a ver com o que é
não com o que alguém fez parecer que era pra ser
o que eu penso
tem relação com o que me fizeram achar que eu podia controlar
o que eu vivo
é uma desengonçada dança entre esses dois
um pêndulo de conflito
entre o que é e o que eu acho ser
por meio da mente eu traço meus passos
aí tropeço e desfaço o que não era pra ser
quando eu escrevo
é a mente que me trava
o que não trava é o que sinto
ele sempre tá ali, ansiando pelo momento
em que a covardia do meu pensar vai dar lugar
ao bonito fluxo desse rio que corre aqui dentro
que sempre soube de tudo que havia pra saber
que tudo é movimento
que nada permanece
que quando a gente esquece de como é ser criança
a gente morre por dentro
a vida se torna medo
o medo se torna dor
e a mente vira protagonista desse jogo que eu não quero jogar
nesse mundo em que às vezes eu não quero viver
produto da consciência humana ainda em estágio primitivo
que dá nome a tudo pra tudo poder controlar
que transforma curiosidade em explicação
teoria vazia que se reflete na parede da caverna
ainda que a porta tenha estado sempre aberta, não saiu ninguém
porque ou sai todo mundo
ou cada um vai continuar vivendo só de imaginação
o que tem lá fora?
só de pensar, estragou
veio o medo, atrasou
medo é o contrário de fé
essa ninguém explica
mas todo mundo sabe
até quem não tem.
e como a gente não sabe explicar
não pode achar que vai controlar
então melhor evitar.
já ouvi por aí que viver é melhor que sonhar,
será que sentir é melhor que pensar?
sinto pra fora
fluxo constante
penso pra dentro
ansiedade de merda, irrelevante
e aí entendo
que minha vontade é puro sentimento
é o que realmente tenho de eu dentro de mim
por outro lado
vontade feita de pensamento
é falsa esperança, desatenção, tombo besta em superfície plana, criação mal criada, humano perdido de si.
a mente cria ego frágil
já o coração, parceiro: fluxo constante, relevante, te eleva, não quer palavra, nem explicação, te dá o que precisa, sangue da criação, te torna mar denso, intuição, água profunda, intermediário entre o lado de cá e o lado de lá, te fala o que precisa, intocado, mesmo quando teu pensar tá ali pra te cegar.
se penso, logo existo
então se sinto, logo vivo.
ao fim
quem diria distopia concebida por olhos cansados de um mundo que já tanto terminou de lá pra cá mas n...
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