terça-feira, 30 de abril de 2013

Nihil: being nothing and the possibilities of that

If at any point you decide that this is just too boring: know you're not alone, not at all. Most of the time when I stare at someone's eyes - in a conversation of my own or even when I'm just randomly checking someone else's conversation - I see sadness, or something related to that. After 24 whole years I've kind of stopped wondering about the reasons behind it, I just sense a feeling of a deep confusion and I feel good to share it. Eyes are really a door to one's soul... or a window, or whatever, it's not even possible to disagree with that. If you're tough enough you might disguise it as anything else, even though this is a part of our condition as human beings. We've been searching for goals in our life for too long; we've been practicing skills and developing ways to be more than the others; we've even tried to be "less human". Our humanity depresses us, our condition is to be forever a "rotten to be", a postponed dead body which will, soon enough, be among ourselves as the dust we have once stepped on. I've got time for nothing, I need to worry about getting enough money so I don't starve, I don't even have time enough to make new paragraphs; I must keep speaking without any pauses, otherwise I would be losing a precious time, and that time can't be lost; the thing is: we don't have any idea of why it can't be lost. In past times people have created several scape mecanisms to deal with that lack of sense, but today they're all gone, some still insist on continuing blabbering about how this is something more than rotting, some have already seen how stupid we are, how disregarding is this struggling against who-knows-what that keep putting us down. It is, in fact, really easy to go so deep into our occupations that we don't have time to remembre how worthless everything is, how every single act is a huge mistake that has absolutely no importance or meaning at all. We are people, and as people, as individuals, we often forget about this "meaninglessness" we are surrounded by. Luckily enough we have created art. Art is something more than ordinary, and not even that makes it something more that useless. Art has been created to be useless, art is something that should remind us of how useless we, ourselves, are and, even like this, art is awsome. Art, and now I'm talking about music and the literary creation mainly, is so awsome that it makes us sure about our lack of meaning and at the same time shows us how amazing this is: being meaningless. Being meaningless means (whatever it is possible or not) that everything is possible. We might not even know what 'everything' is, but we may find it out (or not), and make great use of it! The feeling of "not knowing" is somewhat like the feeling of being useless: it's about the possibility of knowing and making it whatever we choose. That is so awsome that even death becomes something huge, dying and thinking about how "Nothing/Empty" it will be is absolutely huge. It's huge because, as human beings, we don't have a single clue about what that is. The closest experience we may have with Nothing/Empty is when we sleep, or when we pass out. The moment when your consciousness go away is the moment when you are into a Nothing/Empty space, but guess what, we don't have a clue how to describe it, because it's NOTHING/EMPTY. This is so unthinkable that we have to struggle a lot against our reason to barely get close to it, and when we get to a possible idea of what that is, we usualy are distracted enough to lose that feel in just a few seconds. The feeling of emptiness that Nothing/Empty causes is so calm that can't be compared to anything we feel as owners of a body in flesh and bones. Everything we know about feeling well or calm or any good feeling is related to feeling like this because of our body. Every single feeling is a biological reaction inside ourselve. I'm not saying that I've gone beyond that and felt it as it is because I'm writing as a human. The only things I've done about it were thinking a lot about it and the conclusion was: we suck. We, as human being suck as much as it is possible, we only don't suck even more because we haven't got that far into sucking. We suck because our idea of post mortem is related only to our body feelings. We have created heaven and hell and they were made exclusively to make our bodies feel good/bad. Some will say that it is just a metaphorical way to talk about a spiritual condition. Ok if it is like that, the thing is that the people that talk about that, and that have always done that, talk as if they know something more than you or me when in fact they have the same desperate look we do. That is sad, that is sad because millions of people who didn't have the possibility of thinking about that were forced into a reality full of a meaning that's filthy, a meaning full of bullshit and lies. We suck so much as human beings that we often say that being something with no meaning is awful, that this would make us desperate. But you know what? We only are desperate because we've been taught that. We've been taught that we need meaning, and the truth is: we were made to rot, we were made, born and raised to die and to suffer, no one will ever know a little about any truth and the biggest thing we can achieve is becoming free of these spiritual bonds and trying to create meaning from our own, and even like these we will always be only postponed deadbodies - and the worms in the earth can't wait to taste you, sleep with that.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

HATE!

"Who controls the past, 
controls the future,
 who controls the present,
 controls the past"

Depois de ter lido o romance 1984, do inglês George Orwell, comecei a atentar mais para determinados aspectos da vida pós-moderna. Ódio, um ódio profundo, ÓDIO, historicamente pautado, forçadamente passado adiante, ressentido e de um péssimo gosto. Como cidadão latino-americano, brasileiro, do sul, sou constantemente tentado por todos os cantos a assumir uma identidade que deve ser minha, contra aqueles que querem me usar para atingir seus objetivos no poder. Tudo conflui para que não haja equilíbrio e muito menos harmonia entre os nichos humanóides no mundo. Vou escrever isso aqui de uma maneira que pode soar confusa, mas nada deve ser muito claro de qualquer maneira. Segundo as teorias antropológicas, o ser humano se originou em algum lugar na África, de lá povoou o mundo e gradualmente se adaptou a cada ambiente da forma como foi necessária à manutenção da sobrevivência e da perpetuação da espécie que vos escreve. Para isso foi necessário que competíssemos entre nós mesmos e o ambiente que nos cerca, imperando assim sobre as demais criaturas. Para a multiplicação foi preciso que houvesse dois tipos de seres: Aqueles providos de um pênis e aqueles providos de uma vagina; Dessa maneira surgiu o que denominamos homem e mulher. No "espalhamento" desses pelo mundo o humano se despigmentou e repigmentou, como tenta explicar a Teoria da despigmentação humana, surgindo então aqueles mais claros, mais adaptáveis em ambientes com pouca luz solar, já que a pouca melanina facilita a "produção" da tão importante Vitamina D pelo corpo; surgiram ainda aqueles mais amarelados, uns mais vermelhos e permaneceram aqueles mais escuros, que têm a pele de cor marrom e são chamados de pretos: Há, portanto, pretos, brancos, amarelos e vermelhos. É possível que estes indivíduos procriem entre si, o que faz deles participantes da mesma espécie: O Ser humano; Com pênis, vagina, melanina pouca ou muita, há o ser humano competitivo que segue seu instinto de busca por poder voltado à perpetuação. Um psicanalista disse que somos feitos do que queremos intencionalmente e involuntariamente, e a perpetuação faz parte do involuntário, tudo que se faz é feito visando a perpetuação da espécie, ainda que com máscara de desenvolvimento individual. Nós mudamos, é por isso que estamos aqui a ler este besteirol, se não mudássemos qualquer adversidadezinha acabaria com o que sou eu e o que é você em pouquíssimo tempo, e a história nos dá amargos exemplos de como isto quase já ocorreu. Continuando, então. Este ser humano em toda essa variedade evolutiva incrivelmente sortuda é fisiologicamente produzido para que o pênis adentre a vagina após uma rigorosa seleção que surgiu por vias do acaso, uma vez que o que se queria sexualmente falando é o que se produziria e perpetuaria, se algo "ruim" para a espécie fosse "querido", aquilo era descartado pela seleção natural e não existiria mais, e é por isso que o ser humano ficou tão fascinado em sexo: os que mais o eram são os que mais deixaram entes que carregam (ou não) a mesma vontade, perpetuando (ou não) isso tudo. As chances são arremessadas assim ao acaso, mas não vou me alongar nisso já que há um livrinho muito interessante de um barbudinho simpático que explica isso tudo de uma forma estupidamente prática. Enfim, dentro desta sexualidade, e como a evolução é só uma característica independente dos valores que nós (como seres humanos e criadores de nossa realidade sensorial) criamos: boa/má, inteligente/não-inteligente, há aqueles que voltaram sua sexualidade para aqueles de genitais semelhantes, uns com mais ênfase, outros não, e surgiram o que tardiamente foi denominado pelo homem moderno como "homossexualidade", "bissexualidade" ou qualquer desses afins perfeitamente aceitáveis, não o fossem, não existiriam. Ainda, duas outras coisas. A vontade de poder faz com que, sem ser mau (e tendo plena conscientes da relatividade e dependência de contexto deste term), o indivíduo (ou mesmo o grupo) se sobreponha sobre o outro, e isso feito em período iniciais de humanidade refletiu o que hoje é a diferença entre pobres e ricos, ou providos de bens que sustentam a existência e o contrário. E, esse ser que só escreve porque pensa, ouviu uma vez trovões, vendavais e eventos magnânimes para a frágil e minúscula existência humana e pensou que haveria algo como ele mesmo que o controlaria da mesma forma que ele faz com o outro se puder, não que necessariamente queira, mas por necessitar. Todos estes fatores, estas características, puderam ser superadas quando este ser humano aumentou de número e possibilitou a existência de "comunas", em que cada indivíduo auxilia o outro para que ambos possam sobreviver da maneira mais confortável que for possível. Dentro disso supriu suas necessidades básicas, ficando entediado. Nesse tédio sem remédio (rs) pensou-se no que era possível se fazer neste mundo grandão. Em determinados ambientes era mais difícil se chegar neste ponto, em outros, mais fácil. A ideia é que alguns gostavam daquilo que tinham e ali ficaram, outros eram mais tensos à ânsia de querer e poder e, temendo a não perpetuação ou apenas por haver um grande tédio, acabaram por conflitar os interesses de uma comuna com a outra, e conforme essas comunas cresceram, os conflitos também cresceram, cada ser humano ficou mais distante do outro, por não ser possível harmonizar tanta diversidade com todo mundo, e problemas apareceram. Nesse meio tempo surgiu o que foi denominado religião, grupos étnicos, variedades linguísticas, alguns seres mais perturbados que gostariam que todos fossem seus clones, outros que todos fossem completamente diferentes de si. Enfim, e isso tudo rumou ao que o mundo é hoje (esse período esquisitinho de um século para cá) em que alguns caras começaram a desenvolver muito ÓDIO ou por aqueles que são diferentes, ou por aqueles que querem que eles façam algo que não querem. Passamos por brutais queimadas de seres em nome de alguma coisa que controla isso aqui tudo (supostamente), pela dominação de um pelo outro em nome da preguiça (escravidão), e alguns ainda afirmaram que o pênis valia mais que a vagina, e quem tinha pênis de alguma maneira precisava se sobrepor sobre as vaginas... é, é tão estranho que chega a ser bem cômico. Certo. Com o advento da modernidade, lá pelos fins do século XIX, quando revoluções tecnológicas fizeram o ser humano (não uso o termo "homem" como alguns porque não foram só os pênis - ou pipis - que fizeram isso) olhar além do próprio mundo grandão (que já não ficou mais tão grandão assim) e os indivíduos passaram a pensar que melanina ou pipi já não faziam tanta diferença. Só que por muito tempo isso fez tanta diferença que foi difícil não querer inverter isso tudo aí. "Maldito pipi, agora a vagina vai ser melhor que você!"; "Seu despigmentado leitoso, minha melanina te supera!", "Eu gosto de vagina, você tem que gostar também!"; E isso tudo se deu pelo muito QUERER SER e pelo pouco refletir. Surgiram movimentos pró-negros; os movimentos feministas; grupos GLS/LGBT; que combateram com louvor a ignorância pré-estabelecidada por razões que nos primordios ninguém sabe realmente como se estabeleceram, mas ok. Tais grupos fizeram tudo através do "socar 'guela' abaixo", o que, SIM, é realmente necessário. Afinal, ninguém que está no poder vai querer tirar a bunda da cadeira e passar a vez, ou ficar no patamar dos controlados, certo? Supondo que sim, continuo. O ódio é muito delicado, e o ódio vem sendo utilizado de maneiras tão cegas quanto as situações que vos apresentei algumas linhas acima, já praticamente virou senso comum que é necessário SENTIR ÓDIO por eventos há muito passados, por indivíduos que supostamente devem ser maus, por quem não apresenta muita melanina no corpo, e hoje, já nessa pós-modernidade não tardia, surgem movimentos de oposição da oposição: movimentos pró-branco, anti-feminismo, pró-hetero (outras coisinhas que só querem descontar a raiva de um em todos, ou fazer questão de afirmar o que são, para que TODOS saibam e... e o que mesmo?); pois a diversidade se tornou ódio e o diferente é estimulado E odiado quando igual ao que antes não era diferente... O importante neste início de século XXI é ter ÓDIO, afinal, o ódio é o que gera mudança, da mesma forma que liberdade é escravidão, guerra é paz e ignorância é força. Ninguém sabe de onde veio, para onde vai (e não falo em termos metafísicos) mas todos querem se convencer ou que são totalmente diversos ou totalmente puros, quando a verdade é mais relativa que tudo isso. Não se pode ser nego na europa ou branco na américa, há que se sexuar e GOSTAR de tudo e ser puro e casto, há que se assumir que cantos remotos de uma extremidade sejam intrinsecamente elencados a outras e AI daquele que discordar! Falando em meu nome: como então ser despigmentado na América Latina, como ser portador de um pipi e ainda assim saber que portadores de vaginas só apresentam essa diferença em relação a mim desta maneira (e quaisquer outras idiossincrasias que, desde que não prejudiciais a minha integridade moral ou física, não faz sentido algum opor), quando é possível que se seja latino americano e não se ressinta do que passou (ou supostamente foi)? Enfim, uma reflexão de quinta-feira pela manhã, de quem já não suporta nem dominantes nem dominados, falocêntricos e brancos e pretos crendo que são mais diferentes do que sua melanina diz. Interessante é que se questionados os indivíduos que levam mais a sério do que a racionalidade permite tais diferenças, os argumentos não passam de pura preferência estética: "Se você tem pipi não pode gostar de pipi porque... porque... ah, porque não gosto." (nem entro na questão do afirmar o natural porque ninguém saberia definir o que é natural de fato); "Sou preto e bonito, ele é branco... feio."; É a necessidade de identidade que leva os homenzinhos e mulherzinhas e outrozinh@s que estabelecem conceitos baseados em irracionalidade a tomarem determinados parâmetros incabíveis como verdades. O que hoje é ódio por um amanhã é por outro, e o ressentimento é algo contagioso, epidêmico, que leva instrutores de intelecto cometerem as maiores atrocidades em nome da suposta defesa de um ambiente ou grupo específico, levar isso adiante ou não é uma opção dada a poucos, que depende que fatores inúmeros para ser possível. Enfim, fico por aqui.
E essa é a capa da edição linda que eu tenho, na língua original, de um dos livros mais esclarecedores que já li em meu percurso de vida,



Feel me twice

Eu aqui pensando no quão original sou com o nome do meu blog: Feel me twice; Que tirei de lugar algum, pensei isso por vai saber que razão há pouco mais de cinco anos, a idade do tal. Aí usei o santo google do check e há uma música de uma banda de música industrial com esse nome, boa música por sinal, gênero pelo qual já me aventurei, com algo em EBM, SynthPop e similares. Enfim, eis a música que data de 2011 me deixando ainda com a originalidade (que não sei o porquê de fazermos tanta questão de ter) da denominação:

http://www.youtube.com/watch?v=7PqQqyTAI9I

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Eterno retorno

Quando não é bendito maldiz tudo,
nunca é discreto e requer mínima
circunspecção para se fazer notar

É o saber que no momento em que
quero ultrapassar o métron a que a
vida me sujeitou...

Vou querer parar na primeira pedra
e desesperadamente voltar ao chão
para me perder de novo, sem nexo

E mesmo no chão, que minha dor
seja sábia para me fazer regressar
ao cume! Abaixo! Ao nada! Até...

Pois és tu que faz do ser humano
um eterno nada que quer ser tudo
És tu que faz de mim nulo, sem ti

Tu que fazes do santo um pecador
Tu que trazes guerra ao que é paz
Tu és tal como o nada, sem nexo

O nada eu sei e sei que não há e é
Tu eu sei que é e deixa de ser mais
E me tortura pois não é sobre mim...

Seja sábia, ó minha dor!

"Sois sage, ô ma Douleur, et tiens-toi plus tranquille.
Tu réclamais le Soir; il descend; le voici:
Une atmosphère obscure enveloppe la ville,
Aux uns portant la paix, aux autres le souci."





quarta-feira, 11 de abril de 2012

Esse lugar em que compartilho minhas ideias ainda não morreu.

Depois de mais de um ano de uma ausência absoluta (observada a data da última postagem - 25/10/10) eu sinto novas energias que me impelem a voltar a escrever as coisas não apenas de sempre, mas essas e outras.

Antes, porém, farei uma revisão ortográfica de tudo que aí se encontra, pois em um ano minha percepção letrista mudou um tanto e minhas modalizações preferencialmente são outras, e é uma delícia de qualquer maneira abrir essa janela do meu navegador e ver tanta coisa escrita e tanto de mim que não é mais.

Enfim, me formei, entrei no mestrado, compus melodias novas e sou novo mais uma vez, mas deixarei isso tudo para depois que revisar tudo isso aqui, quem sabe alterar o layout desse negócio e escrever algo sobre o que bem entender.

Até!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Registro de um tempo bom.

Desde a última segunda-feira eu tenho sido atingido por uma daquelas coisas da vida que te fazem querer mudar tudo que tá errado, em si mesmo. E aqui estou eu, bem humorado em plena segunda-feira, com alguma expectativa e mais realismo que nunca na vida.

Esse vai ser um daqueles posts que poderiam ser escritos em um diário, um daqueles raros que chegam nos momentos bons da vida, diferente da maioria, que é inspirada por momentos nem tão bons assim. Enfim, há uma semana que eu resolvi mudar, de novo. Não que eu tenha mudado de fato, ainda sou aquele, mas como disse Nietzsche "O início da mudança se faz com fingimento, é necessário vontade de mudar e insistência em ser algo que não se é." Não com essas exatas palavras, mas o sentido é esse. E eu estou aqui, depois de mais um dia de aula para uma sétima série que não dá a mínima para o esforço de um professor (ou estagiário, como é meu caso) que planeja uma aula para tornar um bando de crianças filhas de uma geração decadente e ignorante que provavelmente nunca serão nada na vida, algo mais que um traficante ou adorador de ignorância.

Isso começou há uma semana e alguns dias, na primeira dessas aulas que preciso dar por conta de uma matéria do meu curso (Letras Port/Ing), quando eu não consegui almoçar de tanta ansiedade e pessimismo que tomou conta de mim. E antes disso tudo, perdi cinco kilos em um mês por toda essa ansiedade ridícula.

Nesse dia a aula foi horrível, me deixei levar pelo comportamento péssimo dos tais alunos e o mau humor era como um altar que eu criava para descansar depois dos meus dias nem tão bons. Acordei no dia seguinte, olhei para o espelho, para aquele rosto cheio de barba e com cabelos cacheados escorrendo pela testa, no fundo desses olhos dados pelos meus tão amados pais, e vi lá no interior disso tudo a vida vazia que isso tudo é. A vida que um dia vai se acabar em nada, eliminando todo sentimentalismo que criei nesses vinte e um anos de humanidade. Pensei em como tudo que sinto não vai servir de nada para ninguém, a não ser para mim e resolvi que minha sobrancelha só iria franzir a si mesma para evitar excesso de luz em dias demasiado claros.

Pronto, mas não foi como qualquer frase do tipo: "Bá, preciso parar de fumar", "Juro que vou ser mais pontual" ou "Semana que vem vou voltar a correr." Não, não. Foi algo que não pode ser tornado verbo, aquilo que você sente de verdade no seu íntimo que vem como um murro no meio do seu rostinho jovem e egoísta, dizendo chega desse você, hora de viver diferente porque você vai se acabar em nada mesmo.

E cá estou, escrevendo tudo isso, o resumo de uma semana bem vivida, que se eternize até que acabe. Enquanto minha gata (animal mesmo) dorme aqui do lado com um ar de: "Faço o que eu quero, na hora que quero, e te arranho se não curtir, babaca.", ouvindo Radiohead, pensando nas coisas do coração e me sentindo bem, muito bem.

Então que se faça eterno até que acabe, que a vida seja bela e o bom humor não me largue mais.

Não, não estou exagerando, ainda sentirei muita tristeza e dor nessa vida, agora registro um momento ótimo, que um dia será interrompido por uma dor que guardarei para mim, talvez expressarei em uma música ou em um poema novo, mas sendo eu mesmo, como tem que ser. E que toda dor sirva para os momentos bons serem mais bem vividos. Que seja como queremos.

P.S.: O mundo precisa de mais pessoas simpáticas, e não confunda simpatia com falsidade, não.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Est

Já não há porquê se prender,
escolher entre o sim e o não,
saber a diferença entre o que
sabemos e escolhemos aqui,
ignorância que já não há, junto
com a ideia que esquecemos
ao vento, ao relento, ao vento

Cada palavra é tão inútil quanto
a vida que te foges sem que tu
rabisque as folhas que te faltam,
outro amor que se envaidece ao
lado do orgulho que se destrói
indo em direção ao desprezo que
nunca deixou seguir, e nunca quis
existir para alguém além de si

Dor de uma vida em vão
espera de cada um que é

Lume que queima sem querer
imagem de todo carinho bom
me mostra o que te faz e o que
amas além do que vês daqui

Como fugir daquilo que dói
isso de criar não é tão fácil
rastros de você ainda aqui
imóveis como o olho que vê
cabe a ti saber ou ser amor
ou ficar ao vento, em espera

de palavra a tela

pintar de palavra a tela pra ver com tinta cor de mar profundo ou céu azul pincel de pensamento que nem sempre rima em traço nem sempre firm...