sexta-feira, 14 de novembro de 2025

2052

 se você acha que o capitalismo começou quando o feudalismo acabou,

se enganou.


aquele sistema apenas se adaptou,


(como consequência ou como negligência? teleologia ou história?)


sagaz.


quem manda e quem obedece ainda é a mesma gente,

voraz.


se você pensa que a escravidão terminou,

olha de novo,

presta atenção,


não foi por humanidade, compaixão,

que as correntes que prendiam teus antepassados se abriram.


é mais fácil te escravizar se a tua prisão é invisível,

violenta mas sutil,

mascarada de liberdade.


"liberdade é escravidão, 

guerra é paz,

ignorância é força"


e, não por acaso,


liberdade se tornou escravidão

guerra se tornou paz

ignorância se tornou força


a matrix é real

simulações e simulacros

mas é pautada em linguagem

signos, significantes e significados, 

trabalhados em prol da distorção de cada expressão

com o objetivo de te distanciar dos teus irmãos.


no mundo da pós-verdade

dentro da mesma língua brasileira


liberdade, pátria, progresso, Brasil, bandeira,


foram tomados de assalto 

pela elite que te consome

e foram travestidos dos seus opostos.


e agora

ninguém mais se entende, irmão.


é tipo infecção

e a cura é a educação real

porque, cuidado,

até ela foi rebaixada ao status de utilitária.


te fazer achar que tua escravidão é liberdade

torna bem mais fácil te dominar.


se liberdade é liberdade de consumo

então não passamos de um câncer que corrói a pele que habita


mão-de-obra assalariada,

cansada,

inutilizada,


na história também 

nada se perde e nada se cria, tudo se transforma.


que sejamos aproximadores

não detentores de verdades absolutas

que aprendamos a nos reconectar

com os lados com os quais não sabemos lidar

de nós e do outro.


sonho distante?

não sei

mas aprendi com o Jhon que não sou o único sonhador 

domingo, 9 de novembro de 2025

Xadrez

A gente podia tá unido!

Tamo aqui lado a lado,

mas não confunde:

estar do lado de alguém não é sinônimo de caminhar junto


A gente podia ter vencido!

mas se quebrou no próprio reflexo 

num espelho sujo

de um banheiro inóspito

com a boca cheio de ego


quis brilhar como estrela

brilhou como fogueira

que leva embora tudo o que não serve mais.


sonhos carbonizados de um passado ainda presente.


ausente.

de potência pra mudança real


decadente

ideia que faz parte de uma moral

sem moral

sem nem perceber a gente tava tudo fazendo igual.


Quando a educação não é libertadora,

Freire, 

o sonho do oprimido é se tornar um grande otário.


Vai com calma com a tua dor

ela dói e num vai deixar de doer

tu é produto da tua história

fruto da memória dos dias que não vivemos mais.


mas tu é também o precursor do futuro que te espera.

a partir do presente que te afoga

nesse mar de eu, eu, eu, eu.

EU

EU

eu

                EU, EUeueueueu


Eu cansei de me afogar em eu.


Me isolei, atormentei, fermentei tanta ideia 

sem deleite de nenhuma plateia

Eu que tenho o mesmo sangue que tu.

Eu que lembro que quem fazia parecer que branco era uma coisa e preto era outra

cada vez mais passa vergonha

não aos olhos do público

mas da memória

que nunca vai esquecer 

o que já dizia o professor:

"um branco e um preto unidos, resposta que cala o ridículo".


Vai com calma com a tua dor

ela dói e não vai deixar de doer

até você entender

que junto a gente caminha

ou vamos continuar a perder.


a fé

a paciência

a sanidade

a alma

a vida


pra um sistema que te quer


SE PA RADO

ainda que perto


SE GRE GA DO

ainda que lado a lado


DO MI NA DO

direita e esquerda


pensamento

CO LO NI ZA DO


nos tornamos o que não queremos

viramos progressistas e republicanos

organizaram nosso ódio

pra ser destilado entre nós

porque eles tão bem longe daqui


a história te pariu, te moldou, 

e se tu não olhar pra ela

não vai saber de onde tá vindo

pra executar o que precisa 

pra se libertar do que nunca te pertenceu


aprendemos bem a arte de seguir a metrópole

ensinaram 

na sagacidade sutil 

do controle absoluto.

controle de mídia, poluição mental,

saiu na TV, no jornal, agora na tela na sua cara te deixando sem opção


coação

coagidos

 

te fizeram focar na tragédia

e esquecer que o outro lado dela é a comédia

de viver em um mundo de lados e debates múltiplos

mas não fragmentados

que deviam costurar um no outro os elementos que faltam em si mesmos.


esquerda burra que de minúcia em minúcia só vai ficando mais impotente.

distante

da luta de reaproximação

do reestabelecimento de diálogo

de entender como acreditar na gente.

de como era logo antes de 1964,


não era ideal não, irmão

mas era o Brasil pensando no Brasil

com a víbora norte-americana sondando

esperando o momento de atacar com precisão

desmontar

recriar

com a cara deles.

e a tua cara no chão, lambendo bota

contando nota

achando que é fodão.


e desmontaram, e recriaram.

e hoje tu é produto de quem te consome

te devora em banquete de terno e gravato

com tua cabeça numa bandeja


dissolvido, retraído, esquecido, cansado, deprimido, com medo, 

é assim que quem detém os teus grilhões te quer

dividido, confuso e esquecido.


o caminho do meio existe

e ele não é o centro.

certamente não é pacífico

muito menos enfeitado de acerto

nem nome ele tem

não é terceira via, nem quarta, nem quinta

mas definitivamente num é a primeira nem a segunda

servem a real interesse social nenhum.

servem, sim, à manutenção do teu cansaço

servem para evitar revolução


tudo

blindado.


o que já foi possibilidade não é mais

e o que vai ser depende de entender

conjuntura, sociedade e estrutura,

pra buscar outros caminhos

antes que o caminho acabe.


é erro atrás de erro, 

até a gente entender

que é de gente que a gente se faz


e a gente é falho

e a gente falha

a gente erra

mas a gente corre atrás de entender.

e enquanto não entender

segue errando, 


mas fazendo

até quem sabe um dia perceber.

________________________________________

Versão Slam:


A gente podia tá unido!

Tamo aqui, lado a lado,

mas não confunde


A gente podia ter vencido!

mas se quebrou no próprio reflexo 

com a boca cheia de ego


quis brilhar como estrela

brilhou como lenha usada na fogueira

repetindo os mesmos erros de um presente


ausente.

de potência pra mudança real


decadente

ideia que faz parte de uma moral

sem moral

sem nem perceber a gente tava tudo fazendo igual.


Quando a educação não é libertadora,

Freire, 

o sonho do oprimido é se tornar um grande otário.


Vai com calma com a tua dor

ela dói e num vai deixar de doer

tu é produto da tua história

fruto da memória dos dias que não vivemos mais.


mas tu é também o precursor do futuro que te espera.

a partir do presente que te afoga

nesse mar de eu


Eu cansei de me afogar em eu.

Me isolei, atormentei, fermentei tanta ideia 

sem deleite de nenhuma plateia

Eu que tenho o mesmo sangue que tu.

Eu que lembro que quem fazia parecer que branco era uma coisa e preto era outra

cada vez mais passa vergonha

não aos olhos do público

mas da memória

que nunca vai esquecer 

o que já dizia o professor:

"um branco e um preto unidos, resposta que cala o ridículo".


entende

junto a gente caminha

ou vamos continuar a perder.


a fé

a sanidade

a vida


pra um sistema que te quer


SE PA RADO

ainda que perto


SE GRE GA DO

ainda que lado a lado


DO MI NA DO

direita e esquerda


pensamento

CO LO NI ZA DO


progressistas e republicanos

americanos

não latinos

organizaram nosso ódio

pra ser destilado entre nós

porque eles tão bem longe daqui


a história que te pariu, te moldou, 

e se tu não olhar pra ela

não vai saber de onde tá vindo

pra executar o que precisa 

pra se libertar do que nunca te pertenceu


aprendemos bem a arte de seguir a metrópole

ensinaram 

na sagacidade sutil 

do controle absoluto.

controle de mídia, poluição mental,

saiu na TV, no jornal, agora na tela na sua cara te deixando sem opção


coação

coagidos

 

te fizeram focar na tragédia

e esquecer que o outro lado dela é a comédia

de viver em um mundo de lados e debates múltiplos

mas não fragmentados

que deviam costurar um no outro os elementos que faltam em si mesmos.


esquerda burra que de minúcia em minúcia só vai ficando mais impotente.

distante

da luta de reaproximação

do reestabelecimento de diálogo

de entender como acreditar na gente.

de como era logo antes de 1964,


não era ideal não, irmão

mas era o Brasil pensando no Brasil

com a víbora norte-americana sondando

esperando o momento de atacar com precisão

desmontar

recriar

com a cara deles.

e a tua cara no chão, lambendo bota

contando nota

achando que é fodão.


dissolvido, retraído, esquecido, cansado, deprimido, com medo, 

é assim que quem detém os teus grilhões te quer

dividido, confuso e esquecido.


tá tudo

blindado.


o que já foi possibilidade não é mais

e o que vai ser depende de entender

conjuntura, sociedade e estrutura,

pra buscar outros caminhos

antes que o caminho acabe.





2052

 se você acha que o capitalismo começou quando o feudalismo acabou, se enganou. aquele sistema apenas se adaptou, (como consequência ou como...